quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

O nacionalismo angolano só pode ser moderno


Com a sua tendência para absorver e centralizar tudo em si, o MPLA trata muitas vezes o nacionalismo angolano como se fosse exclusivo seu. Não é, de facto. Houve três grandes líderes e muitos mais participantes da luta (não só militar) pela independência. Todos eles, naquele momento pelo menos, foram nacionalistas angolanos. 

Com a sua tendência, típica dos partidos únicos marxistas, o MPLA provoca reações que, no entanto, são muitas vezes desencontradas e mal formuladas, pois os seus protagonistas reagem com raiva descontrolada, mas compreensível, ou com segundas intenções, por exemplo a de usar a discussão para demarcar novos territórios e expulsar do panteão nacionalistas que não é por estarem lá que têm de sair.

O mais preocupante é a confusão terminológica, infelizmente comum quando o sistema escolar entra em colapso e não há sistema tradicional que o substitua. Tentarei discutir essa confusão e esclarecê-la. 

Em primeiro lugar, ouço falar em nacionalismo moderno angolano. Houve outro? Angolano houve outro? O nacionalismo angolano foi a resposta ao colonialismo moderno. Foi esse colonialismo, definido a partir da Conferência de Berlim, que impôs a administração e ocupação efetiva de todo o território reivindicado ou distribuídos pelas e às potências coloniais. Essa expansão da administração colonial efetiva, conjugada com a definição de fronteiras fixas, trouxe o mapa das novas nações africanas. O nacionalismo foi a resposta dos filhos dessas novas realidades político-geográficas à agressão colonial. Essa resposta caracterizou-se, entre outros aspetos, pela aceitação das fronteiras coloniais e consequente reivindicação da independências das colónias. Não pode, portanto, haver nacionalismo antes de estarem definidas e fixadas essas colónias, bem como devidamente constituídas a partir da ocupação e administração efetiva de todo o seu território pela potência colonizadora.

É neste sentido que só há nacionalismo angolano moderno, o que não significa só haver nacionalismo do MPLA. Mesmo antes da criação da UNITA, por exemplo, havia nacionalistas do Centro e Leste do país que não eram do MPLA. 

Alguns amigos reclamam que a data para o começo do nacionalismo deve recuar até à data do começo da colonização, naturalmente pensando nas chefias tradicionais que reagiram à ocupação do seu território pelos portugueses e seus aliados. É preciso fazermos aqui a destrinça entre nacionalismo e resistência ao colonialismo. A rainha Nzinga ou Jinga Mbandi, ou o Ngola Kilwanji, ou o Ekuikui, ou o D. António do Kongo (o Manimulaza das crónicas coloniais), eram contra a dominação portuguesa. Nessa medida, podem ser considerados nacionalistas, mas nacionalistas relativamente à sua nação, não eram nacionalistas angolanos, porque Angola não existia nessa altura como se fosse uma nação, como um território cujos filhos ansiavam pela independência. Havia o reino do Ngola e uma pequena colónia junto ao litoral que também se chamava Angola. A resistência aos portugueses era em defesa das nações pré- e para-coloniais, no sentido em que usamos o termo (na verdade, sempre que um povo invade, conquista e ocupa o território do outro temos colonialismo e, portanto, a nossa história foi toda colonial, não era preciso esperar a chegada dos portugueses para falar em colonialismo).

É também neste sentido que não considero correto chamar nacionalistas angolanos os que lutavam pela sua nação histórica, particular, antes de haver nação angolana, já reunida, lutando por si. Esquecermo-nos disto é, não só falta de rigor conceptual, é perigoso para o futuro de Angola, não somente para a visão do passado. Esquecermo-nos disto é confundirmos as parcelas com a totalidade e, em política, o passo logo a seguir a esse é o de cada parcela reivindicar o seu direito ao controlo da totalidade. 

terça-feira, 1 de maio de 2018

Vários países onde ainda não ocorreu a troca de embaixadores



O que se passa com a diplomacia angolana? Para além de não ter um modelo de atuação, nem critérios definidos, atuando ao sabor dos interesses pessoais, deixa países importantes sem embaixadores. Ou será que não fazem falta?



Polémica diplomática: Portugal é um entre vários países onde ainda não ocorreu a troca de embaixadores promovida pelo PR