sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Verbas do OGE atribuídas a organizações do MPLA

Quanto a beneficiários alternativos, há sem dúvida uma longa lista de espera, não sei se os indicados em concreto serão todos. É prioritário, por exemplo, subir salários e minorar a pobreza no imediato, em vez de gastar dinheiro com 'O Partido', como se estivéssemos no tempo do partido único. 



Alertando para isto, os partidos da oposição marcaram pontos.  





Verbas do OGE atribuídas a organizações do MPLA geram polémica no parlamento:



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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Kangamba processa Portugal e Brasil


Bento Kangamba não tem boa imagem na maioria dos países onde se ouve (ou lê) o seu nome, incluindo Angola. A sua imagem devia ter sido melhor gerida por ele próprio e pelos que se dizem seus amigos. Ele, porém, fê-la pensando num meio popular em que as suas atitudes eram, muitas vezes, aplaudidas. Algumas das afirmações chocarreiras que 'mandava' para o 'espaço público' motivavam o riso da 'alta cultura', mas recolhiam o aplauso da 'cultura popular'. Podemos exemplificar com as danças e os feiticeiros a que recorria nas deslocações do seu clube de futebol: atraíam 'o povo', que se identificava com essas práticas, e criavam repulsa no 'intelectuais', que as achavam despropositadas. Ou com o famoso avião privado, que era um perigo para a aviação: todos o sabemos, ainda hoje, em Angola, ter um avião privado é digno de um presidente, um empresário com avião privado sobe imediatamente na apreciação do 'povo'. Acho mesmo que não só em Angola...

A notícia que motiva esta nota (v. hiperligação no fim), bem redigida e organizada, se calhar é tendenciosa quando afirma que o general é sobrinho de José Eduardo dos Santos. O que li, na imprensa angolana sobretudo, é que Bento Kangamba (oriundo das Lundas - de onde os negócios de diamantes, associados à carreira nas Forças Armadas) se casou com uma sobrinha do ex-presidente. É, portanto, sobrinho 'por afinidade'. 

Mas o que o general anuncia na entrevista mostra que ele, finalmente, compreendeu o jogo internacional onde se viu envolvido, com ou sem razão (o facto de a acusação brasileira não ter dado provas suficientes não implica a sua inexistência). Não precisou, como Manuel Vicente, de usar o Estado angolano para se defender. Defendeu-se com autonomia, do seu dinheiro pagando aos seus advogados os honorários legais. Assim conseguiu driblar as acusações jogando o jogo da justiça dos respetivos países. Agora pode, finalmente, colocar-se na posição de vítima e não vacila, contra-ataca dando o seu próprio caso como argumento. Desta forma, desprestigia mais a justiça 'estrangeira', a portuguesa ou a brasileira, do que o Ministro das Relações Exteriores angolano, com as suas ameaças e os seus sofismas arrogantes, próprios de qualquer ditadura corrupta quando investigada por instâncias internacionais, tentando a cartada do populismo para um povo que não o identifica nem o integra como faz com a imagem de Bento Kangamba, afinal bem mais esperto (palavra que, para mim, não tem conotação negativa).



Justiça - General angolano processa Portugal e Brasil:



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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

PR anuncia aumentos dos combustíveis e electricidade



Esta continua sendo a retórica da verdade: a situação é difícil e, portanto, vamos ter de suportar momentos maus para voltar à rota certa e vão todos contribuir para isso. Nada de eufemismos, nem sofismas e tergiversações como se fazia de antes - e se continua a fazer com o caso, pessoal, de Manuel Vicente. 

Só que a situação do povo em geral - o povo das classes baixas, da maioria esmagadora da população, dos que têm de se virar de qualquer maneira para se manterem vivos - a situação do povo é tão precária já que, se não fizerem aumentos de salários ao longo do ano (o mais rápido possível), a população não aguenta. O que é pior é mesmo isso: a situação humanitária, ainda pra mais sem qualquer guerra ou coisa parecida que justifique ter-se chegado a esse ponto. Mas também se deve observar que qualquer arrivista, mesmo se ligado à antiga presidência, sabendo aproveitar no seu discurso este contexto difícil e a manutenção de salários muito baixos, conseguirá causar danos graves à retoma económica que, para ser eficaz e correcta, tem de ser também retoma social. Atirar a responsabilidade para o poder local não resolve esse problema principal - o dos salários baixos, embora o poder local possa ajudar em muito na diminuição das condições de pobreza. E o alívio do IRT para os mais carenciados também não resolverá grande coisa. É preciso, mesmo, aumentar os salários e o emprego e essas são medidas que o poder local, sozinho, não vai resolver.


A retórica da verdade sempre aumenta a credibilidade de quem a usa, tornando os sacrifícios aceitáveis. Porém, não sendo acompanhada de melhorias concretas no quotidiano, o seu efeito neutraliza-se, dilui-se, a ligação que restabelece entre o chefe e o povo esmorece e degrada-se. É que há um texto, mais do que verbal, o texto holístico do quotidiano, cuja retórica atravessa todas as classes e em particular as mais 'baixas'. Ele examina por critérios incontornáveis o texto político assente no discurso verbal - ou meramente verbal. Esse, não tem como contornar-se.



PR anuncia aumentos dos combustíveis e electricidade (ACTUALIZADA):



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sábado, 13 de janeiro de 2018

Presidente justifica nomeações de Moco e Lopo do Nascimento por serem “referência” em Angola – Observador

Presidente justifica nomeações de Moco e Lopo do Nascimento por serem “referência” em Angola – Observador:



Tal como também justificou as nomeações para o Fundo Soberano, identificando critérios que nos permitirão, no futuro, e ao próprio Presidente, avaliar as respectivas prestações. 



Com estas declarações, João Lourenço consolida o perfil de um titular correto, moderno e democrático. A sua imagem pública soma ainda mais pontos. 









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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Agentes de trânsito no trajecto Uíge-Luanda desafiam o comandante geral da polícia e cobram ″gasosa″

É, também, nestas situações do dia-a-dia que vamos ver se o governo tem determinação e capacidade para acabar com o 'crédito mal parado'... 



Como nas escolas, nas universidades, na viação e trânsito, hospitais públicos e um longo etc.. 



Se, no dia-a-dia, o cidadão não sentir a mudança, ela não existe. Não há discurso que possa convencer o cidadão de que ela existe. O termómetro dele é o que acontece diariamente, 'na realidade'. Este nível do discurso, ou de texto - o texto do quotidiano - tem uma sintaxe rígida.



Agentes de trânsito no trajecto Uíge-Luanda desafiam o comandante geral da polícia e cobram ″gasosa″:



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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

PR - conferência de imprensa


Uma iniciativa bem gizada e bem conseguida, a da 'entrevista colectiva' do novo Presidente, João Lourenço. De parabéns os responsáveis por ela e o próprio Presidente, pelo desempenho que teve durante a conferência. 


De forma geral, o novo Presidente mostrou serenidade, capacidade de encaixe, análise objetiva e isenta dos problemas. Agora, três notas 'retóricas':

Uma: um dos pontos fortes foi, sem dúvida, a resposta a João Armando (LAC). A pergunta foi bem formulada, mesmo no que diz respeito à relação entre a corrupção e os salários baixos, que também existe.

Na resposta presidencial, o  ponto fraco foi a passagem relativa à subida dos salários, que não pode continuar à espera, porque a maioria da população se encontra no limite da sobrevivência. No entanto, João Lourenço reconhece que é preciso subi-los e compromete-se a fazê-lo. Corajoso e frontal, o novo presidente alertou para que a melhoria dos salários implica a diminuição dos excedentes (uma prova de realismo, de resto, há muito reclamada por economistas sensatos e experientes, nacionais e internacionais). Mostrando sensibilidade às questões sociais, alerta para que a diminuição de excedentes não deve conduzir ao desemprego generalizado. A sua estratégia retórica teve o ponto mais alto na viragem que deu à questão: como a pergunta foi relacionada com a corrupção, JLo aproveitou a deixa para mostrar que o problema é a corrupção dos ricos e marcou pontos. 

Duas: um dos pontos fracos foi a resposta ao questionamento sobre a despartidarização do Estado. Não me parece que o jornalista quisesse afirmar que o vice-presidente devia ser da oposição... A resposta contornou, brincou, sofismou e não foi cabal, não enfrentou a questão. Fê-lo de forma a que o efeito imediato fosse garantido, amesquinhando o jornalista como se fosse adversário, mas, revisto em diferido, o procedimento falsificou o problema colocado e isso não é bom.

Três: um dos pontos fortes da afirmação do novo Presidente e da sua disposição em regressar a um mínimo de normalidade e seriedade institucional foi a demissão de Isabel dos Santos da Sonangol. Por isso, esperava-se que a sua resposta a uma questão relacionada com a demissão (Lusa) se tornasse num bom momento da 'colectiva', ainda para mais uma questão fácil de responder, tal como foi colocada (bastava optar pela possibilidade positiva das duas que o jornalista aventou). A resposta, porém, demonstrou alguma dificuldade em o novo titular se relacionar com o problema colocado pela nomeação arbitrária e abusiva do ex-presidente pondo a sua filha a controlar os petróleos de Angola. João Lourenço disse: “porque é que eu tenho que me justificar por ter exonerado o PCA de uma empresa pública? Eu não faço isso”. Não é a resposta de um Presidente de um país democrático, muito menos quando ele, na mesma 'roda' com a imprensa, lembrou que deve haver concursos públicos que justifiquem a adjudicação de grandes obras. Da mesma forma, deve-se justificar o fim das adjudicações e o mesmo procedimento se reclama, naturalmente, com a nomeação e a demissão para cargos de tal responsabilidade como o de PCA da Sonangol. Não precisa só de confiança política, um cargo desses precisa até de um concurso público. Mas o novo Presidente recorreu ao mais fraco dos argumentos: não tem que fundamentar a sua decisão porque nunca se justificou, em Angola, uma exoneração. Nem o argumento nem a atitude me parecem corretos ou eficazes. Ainda por cima quando a esperança criada com estes primeiros três meses de governação tem por base, justamente, a mudança para uma postura democrática, aberta à sociedade e, portanto, para uma postura de fundamentação das decisões em face da opinião pública.

Mas, no geral, repito, me parece que João Lourenço passou bem à-vontade na prova, retórica também, que esta conferência de imprensa lhe colocou. E a retórica política é o tema cada vez mais central deste blogue. 


domingo, 7 de janeiro de 2018

Processo contra Manuel Vicente em Portugal pode ser transferido para Angola

Processo contra Manuel Vicente em Portugal pode ser transferido para Angola:



Sinais contraditórios: 


1) Francisco Queiroz fala com seriedade e fundamento: há mecanismos legais na CPLP através dos quais é legítimo processar a transferência do julgamento para Angola. Usa uma linguagem, também, própria de um diplomata. 


2) O Mirex fala sem qualquer diplomacia, confunde assuntos privados e públicos e diz que a dignidade do país se defende forçando governos estrangeiros a não julgarem corruptores angolanos que são acusados de crimes praticados fora de Angola. Como se a dignidade dos angolanos estivesse na fuga à justiça quando são acusados de corrupção ativa.


Conclusão: tirem o Mirex, substituam-no por Francisco Queiroz e ativem os mecanismos legais sem mais alarde.





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