segunda-feira, 15 de julho de 2013

anjos e cliques


Assegura o Semanário angolense que o novo governador de Benguela estará ansioso por substituir os seus vice-governadores e outras chefias. 

Caso o faça, terá mais um acto de coragem. Isaac dos Anjos é polémico, erra como qualquer pessoa erra, mas não lhe tem faltado coragem. No caso, também lucidez. Porque o maior entrave ao desenvolvimento de Benguela é a existência de uma clique de chefias e vice-governadorias que se vai mantendo desde os tempos de Dumilde Rangel pelo menos e que domina todos os cordelinhos do poder local. Essa clique não soube interpretar o momento histórico e, portanto, não soube preparar a província para a viragem decisiva em direcção ao desenvolvimento. Não percebeu também, a tempo (ou seja: há vários anos atrás), que Lobito, Catumbela, Benguela e Baía Farta, hoje, devem ser entendidos como uma grande cidade, uma segunda Luanda, e geridos como tal. Para não perderem o seu poder, entravam tanto quanto possível os indícios de mudança e de progresso, bloqueiam sobretudo exigências de rigor e de eficácia - porque sabem que vão perder sempre nesse campo, todos estes anos deram mostras disso mesmo. A sua incapacidade para compreender os graves problemas sociais que se geraram, devidos ao crescimento desordenado da população urbana do litoral, intensifica a potencialidade explosiva desses mesmos problemas e dificilmente a polícia, ou alguns favores e ameaças veladas, resolvem uma crise social tão grave. 

Para mudar Benguela (cidade e província) é preciso, realmente, cortar o mal pela raiz. A raiz do mal é, neste momento, uma elite ineficaz que, ao longo de pelo menos duas décadas mostrou apenas capacidade para criar redes de compadrio, protegendo os medíocres em nome da sua própria estabilidade e deixando os problemas avolumarem-se na crença de que sempre ficarão à margem... Actuações como a da Omunga destapam de vez em quando o sol, mas é pouco, porque nas províncias a liberdade é muito limitada ainda, precisamente por causa das cliques que entretanto se criaram e paralisam toda a actividade criativa, crítica e inovadora em nome do seu controlo absoluto sobre a vida local. 

domingo, 10 de junho de 2012

fábricas a seco junto ao rio catumbela


O anúncio da criação de novas unidades fabris em Benguela deixou alguma comunicação social alvoroçada. Sem dúvida, a província precisa disso, não poderá desenvolver-se baseada só na refinaria e na concentração de terminais de transporte (aéreo, ferroviário, naval).


Mas o alvoroço parece-me excessivo. Em primeiro lugar é preciso vermos o que vai mesmo ser implantado e avaliarmos depois de estar a funcionar. Em segundo lugar é preciso questionarmo-nos, cada vez mais, sobre a validade destes avanços quando continuamos cronicamente deficitários na habitação e habilitação de bairros, na distribuição de água e na produção de energia eléctrica ou de energias alternativas. Em terceiro lugar há que ver em que medida os recursos humanos ligados à província (por história pessoal ou familiar) vão beneficiar da criação destas fábricas. E, não menos importante, as localizações das fábricas em terrenos aráveis.


Como diz o povo: devagar e bem...