O poder político angolano continua vacilante entre sinais positivos e negativos no que diz respeito à liberdade e à cidadania.
Parece louvável a posição dos deputados do 'maioritário' no sentido de esperar pelo novo Código Penal para depois aprovar, ou discutir, as propostas legislativas do governo relativamente à Internet.
Já não se compreende o que se passou na Huíla. Pacíficos veteranos de guerra, que auferem um ridículo subsídio de 10 mil Kwanzas e mesmo assim o recebem com grandes atrasos, viram a sua marcha reprimida pela polícia de intervenção rápida com tiros. A alegação repete-se: não tinham autorização. A PIR desconhece que, à luz da nova constituição, basta informar as autoridades sobre a realização de manifestações, não é necessária nenhuma autorização.
O partido maioritário age como um semáforo avariado: pisca o vermelho e o verde simultaneamente e às vezes me parece que o vermelho pisca a dobrar.
terça-feira, 31 de maio de 2011
domingo, 29 de maio de 2011
política e tempos verbais
Há uns tempos um deputado ou senador brasileiro queria que se abolisse o gerúndio na política brasileira, nos relatórios oficiais , etc. O gerúndio indica um presente contínuo e o político, naturalmente, queixava-se da continuidade desse presente: estamos fazendo, estamos construindo. Nunca se deixava de estar fazendo, nunca se chegava ao pretérito: fizemos, construímos.
O Jornal de Angola e outros órgãos da imprensa estatal, como a TPA, resolveram o problema juntamente com muitos dos nossos políticos. Estamos mais avançados quanto a isso. Veja-se por exemplo este título do Jornal de Angola de hoje: "Executivo substitui pontes destruídas". Depois leia-se o início da notícia:
Nos próximos seis meses, o Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA) vai instalar, na província do Kuando-Kubango, três pontes metálicas, de cerca de 200 metros de comprimento cada, sobre os rios Cuito e Kubango, em substituição das anteriores de betão destruídas durante a guerra que assolou o país.
Deixei a ligação para que o leitor, clicando, vá lá confirmar. Indo, repare como o título nos leva a pensar que o ato está a realizar-se ou mesmo se acaba de realizar. O conteúdo da notícia esclarece que isso ainda vai realizar-se.
O presente, nos noticiários oficiais angolanos, é cada vez mais sinónimo de futuro. Os nossos noticiários e os discursos de alguns políticos são dos mais avançados do mundo, porque nos dão notícias do que passou, do que se está a passar e, principalmente, do que vai acontecer. São notícias do futuro e o futuro é sempre radiante.
O domínio da prática deixa os nossos jornalistas tão seguros que já o estendem à secção internacional. Por exemplo anuncia-se em título, na mesma edição de hoje do JA, que uma força da União Africana vai a caminho da Líbia. O título tem pressa, porque depois, lendo a notícia, percebemos que a UA propôs que se constitua uma força de paz mais alargada e isenta, com ONU, a Liga Árabe, etc., para depois se enviar para a Líbia. Mas, como dominamos o futuro, anunciamos desde já que essa força vai ser da UA e vemo-la já a caminho.
Simples questão de estilo? Claro que não. Manipulação do estilo e da notícia que nos confirmam não estarmos perante órgãos de informação isentos.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
segunda-feira, 23 de maio de 2011
ukb - isced
Cumprindo-se o mínimo que havia a fazer - expulsar os alunos que entraram fraudulentamente e compensar os que não entraram por esse motivo - provavelmente ficará tudo na mesma no ISCED-Benguela e nenhum aluno se queixará à PGR.
Logo que possível, voltamos ao mesmo.
Logo que possível, voltamos ao mesmo.
domingo, 15 de maio de 2011
mortes na estrada
É no mínimo curioso verificar que as causas das mortes nas estradas, em Benguela e em Angola, são sempre desrespeito às regras de trânsito, excesso de velocidade e alcoolismo.
Nunca se diz que o mau estado das estradas, a deficiente sinalização e a deficiente iluminação em zonas urbanas e suburbanas também causa muitas mortes e muitos acidentes.
A culpa é sempre do condutor. A estrada é um exemplo de perfeição.
Nunca se diz que o mau estado das estradas, a deficiente sinalização e a deficiente iluminação em zonas urbanas e suburbanas também causa muitas mortes e muitos acidentes.
A culpa é sempre do condutor. A estrada é um exemplo de perfeição.
sábado, 14 de maio de 2011
nova moda no ISCED Benguela: rasgar folhas de sumário
Na verdade não é muito novo mas agora, com o controlo apertado sobre as faltas feito por um funcionário, as folhas de sumário começam a desaparecer quando alguns professores faltam.
Mas ninguém parece preocupado com isso.
Mas ninguém parece preocupado com isso.
salários em atraso no ISCED Benguela
Continuam por pagar os salários do pós-laboral. E ninguém parece incomodar-se com isso. O próprio decano diz, descaradamente, que já foram pagos.
Os funcionários viram os seus salários reduzidos - em alguns casos em 40%. Mas também ninguém parece muito preocupado com isso.
Os funcionários viram os seus salários reduzidos - em alguns casos em 40%. Mas também ninguém parece muito preocupado com isso.
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