segunda-feira, 14 de março de 2011

marchas

Jesus Cristo morreu sozinho, depois de até a pedra da sua igreja o ter negado. E mudou o mundo. Salvaguardadas as devidas diferenças, a não-manifestação de 7 de março e a reacção assustada do partido-Estado provocaram uma coisa muito boa: que pela primeira vez dois partidos políticos nacionalistas se manifestassem livre e publicamente com passeatas para comemorarem as datas fundadoras ou legitimadoras.
É um começo de democracia em Angola. Pela parte da UNITA, mais uma vez a figura de Camalata Numa esteve bem. Mas não só. Certos discursos objetivos, certas frases sucintas e certeiras serviram muito melhor que os discursos enrolados e divisionistas que Samakuva às vezes faz.
A oposição precisa de continuar aproveitando bem as datas e as ocasiões para tornar mais efectiva esta democracia. E o governo ganhou em respeitá-la.

domingo, 6 de março de 2011

dois paradoxos

1 - para haver democracia ninguém se pode manifestar contra o governo

2 - para haver paz temos todos que elogiar o governo

desacatos na lunda-norte

por terem defendido que a fraca adesão à manifestação pró-MPLA se devia a que as pessoas não se reviam já no governo, alguns jovens foram desacatados pela polícia e presos.

inteligente a ação do governador Ernesto Muangala: mandou soltar imediatamente os jovens para não criar sentimentos de revolta.

arguto mas prolixo

o comunicado do bloco democrático sobre o 7 de março

paz ou medo?

a maioria dos partidos e muitas organizações aparentemente apartidárias entraram em consonância com o papão. A margem de manobra é muito apertada. É mesmo difícil o camelo passar pelo buraco da agulha.

conta benta

2 milhões de manifestantes no sábado em luanda? não. seguramente que não.

não tendo conseguido o objetivo alguém fica mal visto. mas faz contas bentas e diz que houve 3 milhões de manifestantes em luanda no sábado. como se conta assim? só deus sabe, razão pela qual as contas serão... bentas.

apesar da lavagem ao cérebro em toda a imprensa, perfeitamente desajustada para a situação, das pressões que o presidente da UNITA garante terem sido feitas e que é habitual fazerem-se, o partido-estado não conseguiu galvanizar as populações.

era esse o risco de as convocar: o feitiço pode virar-se contra o feiticeiro.

cabe à oposição explorar isso para intensificar a luta política.